Na psicoterapia contemporânea, um dos fenômenos mais frequentes — e menos discutidos — não é a resistência, a recaída sintomática ou a dificuldade diagnóstica.
É o silêncio.
O paciente simplesmente deixa de comparecer, não agenda novas sessões e desaparece do acompanhamento.
Esse fenômeno, descrito na literatura como abandono terapêutico ou interrupção precoce, apresenta taxas que podem variar de 20% a mais de 50% dos tratamentos iniciados (Swift & Greenberg, 2012).
Apesar de sua relevância clínica, a maioria dos psicólogos:
- percebe a ruptura apenas tardiamente
- não possui indicadores objetivos de risco
- não dispõe de suporte tecnológico para intervenção precoce
O resultado é uma perda simultânea de continuidade de cuidado ao paciente e de estabilidade clínica e financeira ao profissional.
Este artigo analisa o problema do abandono terapêutico, as limitações dos sistemas disponíveis e a proposta do eConsult para sustentar o vínculo terapêutico por meio de monitoramento inteligente de engajamento.